B O L E T I M Número 65 de Outubro 2006 - Ano VI

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O p i n i ã o  

  • A Vós a Razão
  • Colaborador questiona-se: “Que polémica ou crítica lançar quando estamos numa instituição que tem a coragem de ter no BIP, penso que com consulta pública, uma secção aberta à crítica?”

  • Asneira livre
  • Colaborador questiona: "Sendo o INESC Porto parte integrante do Campus da FEUP, onde já há algum tempo não é permitido fumar dentro das instalações, será compreensível que no INESC Porto o seja"?

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A  V Ó S  A  R A Z Ã O


A máquina do Estado – cá dentro. Vai um jogging?

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Por Sílvio Macedo *

Que polémica ou crítica lançar quando estamos numa instituição que tem a coragem de ter no BIP, penso que com consulta pública, uma secção aberta à crítica? Que incentiva a participação dos seus colaboradores, mesmo se para isso gastam tempo do seu dia? O INESC Porto pode de facto dar-se ao luxo de ser tão destemido - é uma instituição de referência e um exemplo para muitas outras em Portugal, e fora.

Antropomorfizando o INESC Porto, diria que se encontra maioritariamente no topo da pirâmide de Maslow.

É do conforto dessa posição alcançada pelo INESC Porto, no preciso espírito de auto-realização, que me atrevo a partilhar esta preocupação.

É sempre mais fácil apontar o dedo, especialmente ao Estado, do que dar a mão à palmatória, assim como é sempre mais fácil contratar do que despedir.

Será impressão minha, ou é verdade que ao longo dos últimos vários anos no INESC Porto, parece haver uma proliferação de serviços e departamentos internos, contratados para isto e para aquilo, de sistemas, mais burocracia e especialização estanque e inflexível, à moda do antigo funcionalismo público?

Ao contrário, parece-me haver uma hipoteca da camada produtiva com simultânea maior dificuldade na atracção de recém licenciados de primeira linha, por não sermos, em alguns aspectos, tão competitivos em relação a um mercado de trabalho agora mais ciente das mais valias destes recursos.

Não seria caso para analisar a balança comercial do INESC Porto e tentar investir na máquina produtiva que exporta em vez de engordar os overheads que consomem?



* Colaborador da Unidade de Telecomunicações e Multimédia (UTM)


CONSULTOR DO LEITOR COMENTA

Caro Sílvio,
O teu comentário é do tipo daqueles que não podemos de estar constantemente a ter presentes, pois refere-se a um vício estrutural das organizações que pretendemos (sempre pretendemos) evitar: a engorda em causa própria.

Há anos dizia-me já o falecido Prof. Lourenço Fernandes que quando numa organização já se pensa em arranjar uma secretária para a secretária, é tempo de encarar com coragem reformas de fundo.

Por outro lado, é preciso acautelar também o outro vício que é de atribuir sem medida responsabilidades à estrutura, esquecendo as próprias.

Sendo pertinente o teu ponto de vista em abstracto, lamento discordar no concreto da sua aplicação ao INESC Porto. Vamos à análise:

Do ponto de vista dos custos, a estrutura tem-nos sucessivamente, nos últimos anos, reduzido. Sim, leste bem: reduzido. Tem havido mais serviços a emergir? É porque são avaliados como precisos: mas, ao mesmo tempo, tem havido coragem de fazer os cortes necessários. Ainda que as decisões sejam difíceis. Por exemplo, deixamos de ter cá dentro serviços de CAD-PCB, já reparaste? E o número de contínuos foi racionalizado. E muitas das pessoas que conseguimos que colaborem connosco são sustentadas por programas a que concorremos, como os do IEFP, ou ainda são estágios profissionais.

Do ponto de vista da eficiência, a percentagem dos custos de estrutura na nossa organização coloca-nos bem nos índices de avaliação costumeiros para organizações do nosso género e em actividades privadas de teor semelhante. Sabias que o Fraunhoffer Institut da Alemanha recebe do Estado, a fundo perdido, cerca de 30% do seu financiamento? E nós? Se não somos eficientes, onde iremos parar?

Do ponto de vista da eficácia, a qualidade dos nossos serviços é inegável. Acontece que é essa máquina estrutural (os chamados “serviços”) que consegue ir buscar financiamentos para a instituição que de outro modo, se não existisse, dificilmente conseguiríamos. Por exemplo, temos em rodagem um extenso programa de formação interna (não sei se por acaso já beneficiaste) que continua a qualificar os nossos colaboradores e que foi igualmente financiado pelo PRIME. É nossa obrigação legal formar os nossos colaboradores, está no Código do Trabalho – e a nossa máquina organizativa consegue fazer-nos cumprir a lei sem prejuízos financeiros. Vale a pena, ou não (como se não fosse do nosso mais profundo interesse qualificar o mais possível todos os que trabalham connosco...)?

Os próprios projectos que conseguimos financiar através de mecanismos do PRIME beneficiaram da existência dessa máquina estrutural. O financiamento do PRIME foi, nos últimos anos, estratégico para a nossa actividade. Mas provém de outro ministério que não o da ciência. Duvido que as unidades de investigação tivessem alguma condição de o ir buscar.

Por isso, te agradeço a pergunta. Agradeço que a vás colocando, para estarmos atentos. E agradeço que divulgues também a resposta. Ela é, também, um dos nossos motivos de orgulho.



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