B O L E T I M Número 71 de Abril 2007 - Ano VII

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O p i n i ã o  

  • A Vós a Razão
  • Colaboradora afirma: "Sinto que poderíamos ir mais longe, tornando-nos também uma instituição inovadora nesta matéria, através da criação de uma política de RH especificamente orientada para esta questão da conciliação entre trabalho e vida familiar..."

  • Asneira livre
  • Colaboradora sugere: "Não precisam de ser necessariamente aulas de Danças de Salão. Se calhar, será mais fácil arranjar uns workshops de Tango Argentino, Danças Latinas ou Sevilhanas..."

  • Galeria do Insólito
  • E se durante um almoço restrito e informal aparecesse uma figura pública com vontade de se juntar ao grupo? Curioso, não?

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  • Mais cenas de como bamos indo porreiros...

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A  V Ó S  A  R A Z Ã O


Conciliar Trabalho e Família

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Por Vanda Ferreira*

Temos vindo a assistir, sobretudo nas últimas três décadas, a uma crescente feminização da população activa, bem como a novos modos de organização da vida familiar.

No ano 2000, a taxa de participação feminina no mercado de trabalho atingiu os 60%, meta preconizada pela Estratégia de Lisboa para 2010. Outro dado curioso, mas relevante, é a proporção de casais com filhos que trabalham a tempo inteiro (67%). Por outro lado, as ocupações a tempo parcial, designadamente das mulheres, são das mais reduzidas a nível europeu.

Hoje é opinião quase unânime que a conciliação entre família e trabalho não é um problema ou um desafio exclusivamente feminino. Trata-se mesmo de um problema que se coloca a toda a sociedade, uma vez que o seu equilíbrio a longo prazo pode ser posto em causa, nomeadamente pelas baixas taxas de natalidade que se têm registado na Europa.

Perante estes factos, torna-se premente repensar as formas de organização do trabalho, no sentido de propiciar uma conciliação entre responsabilidades familiares e profissionais dos trabalhadores. Neste contexto, surgiu recentemente o conceito de empresas familiarmente responsáveis, desenvolvido por economistas e que se traduz em empresas que se preocupam em facilitar a realização pessoal e profissional dos seus colaboradores, independentemente do sexo, dando-lhes espaço e flexibilidade para que cada um possa cumprir na sua plenitude os seus deveres profissionais e familiares.

Pessoalmente, considero que trabalho já numa instituição familiarmente responsável, no sentido atrás descrito, até porque foi-me dada a possibilidade de trabalhar parcialmente em tele-trabalho, o que muito tem contribuído para conciliar as dificuldades inerentes a ter um filho pequeno e simultaneamente doente crónico, o que me obriga a faltar frequentemente.

No entanto, sinto que poderíamos ir mais longe, tornando-nos também uma instituição inovadora nesta matéria, através da criação de uma política de RH especificamente orientada para esta questão da conciliação entre trabalho e vida familiar, flexibilizando o tempo e as formas de trabalho, criando eventualmente serviços de apoio à vida familiar, quiçá integrados no campus universitário em que estamos inseridos, criando de um modo geral melhores condições para atrair o capital humano, tornando-nos (mais) exemplares.

Aqui ficam alguns exemplos de Boas Práticas, dados no Manual para as empresas de Boas Práticas de Conciliação entre Vida Profissional e Familiar, elaborado pela Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE):

A. Organização de formas de trabalho que promovam a harmonização da vida profissional e familiar: horários adaptados às necessidades familiares, trabalho repartido, possibilidade de acumular horas de trabalho, permitindo aos trabalhadores ter dias livres; evitar reuniões e acções de formação fora do horário laboral.

B. Igualdade no acesso às diferentes funções e às promoções e outras formas de valorização das carreiras profissionais.

C. Criação de bases de dados com todo o tipo de serviços que possam ser úteis aos trabalhadores com filhos ou idosos dependentes: creches, infantários, centros de dia, serviços de assistência a idosos, serviços de proximidade como sejam as lavandarias, as engomadorias, prontos-a-comer, entre outros.

D. Designação de uma pessoa do Departamento de Recursos Humanos que inclua nas suas funções a gestão desta base de dados e que atenda às necessidades dos trabalhadores da empresa, estabelecendo o contacto com os serviços solicitados pelos trabalhadores.

E. Criação de uma sala na empresa devidamente equipada e com pessoal qualificado, cujos serviços possam ser adquiridos quando necessário, para os trabalhadores aí deixarem os seus filhos. Este serviço poderá funcionar durante todo o ano, ao longo do período normal de trabalho, durante parte do dia ou apenas durante o período de férias escolares.

F. Organização, durante o período de férias escolares ou fora do horário lectivo, de visitas a museus, excursões, ou outros passeios para os filhos dos trabalhadores.

Bem sei que vivemos constantemente com as ditas restrições orçamentais, no entanto, muita coisa é possível fazer sem dinheiro, mas apenas com boa vontade, criatividade e empenho.

Para aceder ao texto integral:
http://www.cite.gov.pt/imgs/downlds/BoasPraticasdeConciliac.pdf

* Colaboradora do Departamento de Informação e Logística (DIL)

CONSULTOR DO LEITOR COMENTA

Cara Vanda,

Como bem escreveste, e não foi por conveniência, já convives numa instituição familiarmente responsável. E temos orgulho disso.

Também é bom ir recordando o assunto e a tua intervenção é oportuna.

Mas, apesar do interesse com que se lêem as generalidades apelidadas de boas práticas que transcreveste, fica difícil imaginar que mais poderemos fazer no INESC Porto do que já fazemos, se não aparecerem sugestões realistas e concretas.

Algumas das limitações que temos advêm do próprio espartilho legal do Código do Trabalho: como seja a possibilidade de acumular horas de trabalho, por exemplo.

Outras limitações advêm da dificuldade de conciliação de férias de casais em que ambos trabalham – embora não se possa de modo nenhum acusar o INESC Porto de ter política inflexível nessa matéria. Se pudermos melhorar o nosso sistema, não pouparemos esforços.

Outras limitações ainda advêm muito mais da organização social geral: por exemplo, se existisse uma política social de transportes escolares, evitar-se-iam horas e horas perdidas no trânsito a levar ou ir buscar as criancinhas ao infantário ou à escola – com vantagens colaterais de diminuição de stress, economias de energia, etc. Na verdade, o investimento público em transportes escolares, sem distinção de ensino (público, privado ou cooperativo), teria retornos óbvios e quantificáveis e pagar-se-ia por si mesmo seguramente – e não seria descabido que uma fracção dos nossos impostos vertesse obrigatoriamente para esse fim.

Afinal, ser familiarmente responsável não é só proteger quem tem filhos: é também incentivar a tê-los quem ainda não tem, por suavização dos obstáculos.

Só que são precisas ideias concretas. Decerto que as terás, ficaremos à espera delas.



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