B O L E T I M Número 71 de Abril 2007 - Ano VII

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O p i n i ã o  

  • A Vós a Razão
  • Colaboradora afirma: "Sinto que poderíamos ir mais longe, tornando-nos também uma instituição inovadora nesta matéria, através da criação de uma política de RH especificamente orientada para esta questão da conciliação entre trabalho e vida familiar..."

  • Asneira livre
  • Colaboradora sugere: "Não precisam de ser necessariamente aulas de Danças de Salão. Se calhar, será mais fácil arranjar uns workshops de Tango Argentino, Danças Latinas ou Sevilhanas..."

  • Galeria do Insólito
  • E se durante um almoço restrito e informal aparecesse uma figura pública com vontade de se juntar ao grupo? Curioso, não?

  • Biptoon
  • Mais cenas de como bamos indo porreiros...

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E D I T O R I A L


O sonho é ver as formas invisíveis, escreveu Fernando Pessoa

Quando somos chamados a pensar no futuro de uma organização, pode ocorrer que sejamos virtuosamente possuídos por uma pulsão contraditória. Legitimamente, queremos aperfeiçoar, mas aperfeiçoar não será apenas conservar, ter mais do mesmo? Envolvidos na obsessão do melhorar, corremos o risco de mergulhar numa vertigem do detalhe. Apoderados de uma máquina de zoom, fica a decisão prisioneira de acertar o pormenor cada vez mais fino. Mergulhados na selva, deixamos de compreender o que há para além dela, falta-nos voar, o nosso universo fica progressivamente mais fechado em si mesmo, cada vez mais sabemos menos.

Quando assim ocorre, o futuro da organização está traçado: estagnar, desadaptar-se dos tempos, definhar. As gestões perpetuam-se a falar para os próprios umbigos, auto-satisfeitas, mas os sinais estão lá, vestigiais, e os primeiros resumem-se sempre a uma frase clássica: a saturação do modelo. Pode o fenómeno não ser aparente de imediato, mas vai larvar surdamente até que, quando subitamente reconhecido, evidenciará crise grave, exigirá cirurgias dolorosas ou não terá remédio.

Por isso, aperfeiçoar tem que, nos momentos certos, ser mudar, transformar, inovar. Em vez de conservar mudando o detalhe, criar roturas. Em vez de olear a máquina, provocar-lhe tensões. Em vez de proteger a fronteira de contacto com o exterior, avançar para novas fronteiras. Em vez de cumprir o desígnio, sonhar novos desígnios.

Só as tensões provocam readaptação e só nas readaptações se conseguem saltos de progresso pela competição entre alternativas.

Ora a boa notícia deste mês é: que o INESC Porto vai mudar.

Vai deixar de ser a instituição virtuosamente monolítica (e que espantosos resultados positivos conseguiu!), para se assumir nos riscos de ser plural. Vai deixar de ser apenas INESC Porto, para ser Rede INESC Porto. Vai associar-se com outros grupos, de outras escolas, de outras localizações geográficas, com outros passados, com outras trajectórias de cultura corporativa, não será mais (apenas) o seu núcleo histórico. A rede INESC Porto Laboratório Associado vai ser outra coisa que não somos hoje, sem deixar de ser o que somos.

O INESC Porto vai crescer, mas não apenas mais do mesmo, vai ser mais do novo e aí estará o segredo da sua pujança, a capacidade de evoluir, de se transformar, que é a melhor maneira de ser fiel a si mesmo.

O sonho é ver as formas invisíveis
da distância imprecisa e, com sensíveis
movimentos da esperança e da vontade,
buscar na linha fria do horizonte
a árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte (...).

Adivinhou Pessoa o que nos vai na alma, vemos a linha indistinta de um novo horizonte e é como se já fossem nossas, as realidades a que ainda não chegámos. O que importa é que navegamos.



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