B O L E T I M Número 66 de Novembro 2006 - Ano VI

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E D I T O R I A L


TUDO COMO DANTES, QUARTEL GENERAL EM ABRANTES

Há um velho aforismo de reza que “Não há países subdesenvolvidos, há países subadministrados”.

Com a mesma incidência analítica poderíamos falar da ciência em Portugal: não há falta de Ciência, há falta de gestão da Ciência.

A qualidade da gestão da Ciência deveria ser a primeira prioridade política de uma governação que se sinta reformista. Os organismos de operacionalização da política governativa (vide FCT) deveriam constituir-se instrumentos desse desiderato - conseguir um salto qualitativo na ciência em Portugal através da indução de uma nova cultura de gestão.

Não apenas funcionar como distribuidores de dinheiro: mas como catalisadores de transformação.

Portanto, esperar-se-ia que a FCT se munisse dos meios e adoptasse os métodos e modelos de organização e de incentivo necessários à aplicação do choque necessário à mudança.

O salto qualitativo que as unidades do sistema científico nacional poderiam realizar é enorme, o potencial é imenso – se conseguissem usufruir de outra filosofia de gestão que não a gestão corrente à moda do Estado no seu pior, se o sistema em que se inserem lhes permitisse aplicação efectiva de novas perspectivas de gestão visando competitividade, produtividade, eficiência e eficácia.

Infelizmente, o mau exemplo vem de cima e a própria tutela das unidades de ciência portuguesas dá uma imagem nada em sintonia com eficiência, qualidade e modernidade de gestão.

Não nos compete diagnosticar aqui se os males são de formação de pessoal, de estrutura, de meios técnicos, de concepção organizativa ou de política. O resultado é uma sensação de muito improviso, de artifícios de desenrascanço e de subsistência de processos e procedimentos arcaicos, prazos excessivamente dilatados ou mesmo não cumprimento, descoordenação de iniciativas, adiamento de processos inadiáveis, abandono da política de avaliação regular, exigências burocráticas absurdas ou despropositadas. Tudo como dantes, quartel general em Abrantes – sem efectivo aproveitamento do que a tecnologia poderia oferecer de suporte à gestão e sem efeito de catalisador ou indutor de mudança nas próprias unidades de ciência.

Poderia, talvez, a FCT convocar um conclave de reflexão sobre este estado de coisas. Mobilizaria a comunidade. Poderia esboçar-se um plano de transformação. O INESC Porto estaria pronto a colaborar.

Porque, com o actual estado das coisas, em vez de modelo, temos contra-exemplo. Assim, ainda que o homem do leme gostasse de perseguir visões ambiciosas, é obrigado a navegar à vista.



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