B O L E T I M Número 69 de Fevereiro 2007 - Ano VII

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O p i n i ã o  

  • A Vós a Razão
  • Colaborador questiona: "Estaremos a sofrer de preconceito e não confiamos em cidadãos deficientes, apesar de todos os estudos indicarem a sua grande motivação pessoal, o seu baixo absentismo e da sua boa integração social e qualificação académica?"

  • Asneira livre
  • Colaboradora afirma: "Congratulo o INESC Porto e todos aqueles que fazem parte desta organização pelo excelente ambiente de trabalho que encontrei, e faço votos sinceros para que assim continue! Esta é, no meu entender, a melhor forma de trabalhar e de obter os melhores resultados".

  • Galeria do Insólito
  • Já olhou bem para o boneco? Qualquer semelhança com a realidade não é pura coincidência...

  • Biptoon
  • Mais cenas de como bamos indo porreiros...

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E D I T O R I A L


Crescer em volta do melhor do INESC Porto

A afirmação da ciência portuguesa já não é função da produção de conhecimento, mas sim da gestão dessa forma de produção.

Naturalmente, a academia clássica cultivou uma cultura de grande independência de pensamento, parente próxima da liberdade e condição muitas vezes invocada como necessária à criatividade.

Todavia, a ultrapassagem do estado artesanal da produção de conhecimento para um estado avançado, organizado, onde conceitos de eficácia e eficiência sejam plenamente assumidos, exige um pensamento estratégico que, de certa forma, contraria a "crença natural" dos académicos: porque lhes necessita de impor regras, metas, objectivos, aspirações, prazos e responsabilidade.

A comunidade científica carece de catalisadores de visão ou visões de grande fôlego. Esse sentido estratégico global tem uma dimensão temporal, fácil de aperceber: não falamos do curto prazo, quando falámos em ciência, ou melhor, não podemos falar apenas do curto prazo. Mas também tem uma dimensão territorial, no território da complexidade da sociedade humana produtiva: porque tem que englobar não só a génese como as aplicações do conhecimento, não só os financiamentos como a valorização económica dos resultados, não só a construção de ciência como a transferência de conhecimento para os agentes económicos (e culturais).

Por isso, planear é estruturar. Ora no nosso actual estádio de desenvolvimento, só serão possíveis novos saltos qualitativos, com reflexos na transformação da sociedade portuguesa e na felicidade dos seus cidadãos, se a actividade da ciência em Portugal ganhar uma estrutura diversa da granunaridade alveolar que nos é hábito.

As chamadas redes de cooperação foram uma possível tentativa de resposta a esse desafio, de dar densidade ao tecido produtivo científico. Infelizmente, a realidade veio demonstrar que, em muitos casos, a criação de uma rede constituída por grupos ou instituições serviu mais o objectivo de manter tudo tanto quanto possível na mesma. Isto ocorreu sempre que não foi possível dotar a rede com um mecanismo centralizado que conferisse uma percepção estratégica e obrigasse a uma imposição de trajectória, sobrepondo-se a meros interesses pulverizados locais. O rol destes insucessos não é só de Portugal, a própria Comissão Europeia foi obrigada a reflectir no formato das redes a que abastadamente acudiu com financiamentos.

Os tempos são de concentração e de ganhos de escala. Só núcleos massivos de produção de ciência irão ter acesso aos grandes financiamentos que sustentam a actividade científica. Mas haverá que evitar que se formem de novo aglomerados artificiais, só com o intuito de somar números para conseguir algum dinheiro que logo é dividido entre as partes para que estas continuem como sempre.

Com esta visão dos tempos, os grandes Laboratórios Associados figurarão como incontornáveis pivots da reorganização do Sistema Científico Nacional - porque além de Ciência, poderão providenciar Gestão da Ciência. E aí, o INESC Porto não poderá recusar a sua parte - terá que se abrir à ampliação e ao acolhimento de outros grupos. Porém, não desperdiçando uma das melhores aquisições que efectuou ao longo dos tempos: a sua exigente cultura de gestão e responsabilização, e o seu sentido estratégico que se consolida na existência de uma cadeia de comando clara.





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