B o l e t i m Número : 4 3 ( interno ) / 2 9 ( público ) Setembro 2004

 

 

 

Investigadores do INESC Porto regressam de Timor 
 


 

António Lucas Soares e José Soeiro Ferreira, investigadores da Unidade de Engenharia de Sistemas de Produção (UESP), já regressaram de Timor-Leste, onde exerceram as funções de docentes cooperantes do Programa CRUP/FUP com Timor-Leste.

Durante os meses de Junho e Julho, estes investigadores leccionaram, respectivamente, as disciplinas de Engenharia de Software e Investigação Operacional aos Cursos de Engenharia Informática e Electrotécnica (mais informação em: http://www.fup.pt/crup-fup/index.htm) em Dili.

O BIP já contactou os dois professores e regista agora a opinião de António Lucas Soares, que também pertence à equipa do BIP. Por motivos profissionais, José Soeiro Ferreira não pôde colaborar nesta edição.

Lucas Soares em discurso directo...

As expectativas
Nunca cheguei a fazer o exercício de antever como seria a nossa vida em Timor, quer em termos de trabalho quer em termos de sociais. Chegámos num domingo e a primeira impressão com que fiquei de Dili foi de uma cidade tranquila. Estava sol e as pessoas passeavam-se pela marginal. Esta impressão acabou por se confirmar. Dili, Timor são tranquilos.

O trabalho
As condições de trabalho eram perfeitamente suficientes para se leccionar com um mínimo de qualidade. Fiquei também com uma impressão bastante positiva da coordenação local do projecto FUP/UNTL. Os alunos eram esforçados e genericamente bastante voluntariosos. No entanto, tinham grandes dificuldades de aprendizagem não tanto pelas lacunas na sua formação académica, mas mais pelo dificuldade de falar e entender a língua portuguesa. Para nós valeu principalmente a experiência pedagógica.

Os colegas
A maioria dos colegas deste trimestre já tinham estado em Timor. Eu também já tinha ouvido falar que as pessoas voltavam... Eram cerca de 40 os professores portugueses que estiveram na UNTL no 4 trimestre. Globalmente a convivência entre colegas foi bastante boa, tendo nascido muitas amizades. A maior parte estava alojada num bairro onde até havia cinema ao ar livre, duas vezes por semana...

O país
Timor não tem uma beleza de postal de férias. Mas tem uma beleza bruta, selvagem (pelo menos "ainda" a tem neste momento...) que muito me atrai. E tem tudo: praias tranquilas, mar de corais e peixes tropicais, floresta, montanha, prados, rios, etc., etc. O clima nesta época é temperado, quase ideal. Viajar em Timor é uma aventura... principalmente porque nunca se sabe o que está a seguir à próxima curva...

As pessoas
São aparentemente frágeis, mas num contacto mais profundo emerge claramente a força e dignidade deste povo. São pobres mas não miseráveis, muito menos pedintes. Mostram, de uma forma evidente, uma grande alegria de viver. No entanto, nota-se que têm consciência que o futuro ainda é incerto, que o seu país ainda tem muita luta pela frente. Mas eles são lutadores e eu acredito que vão vencer.