B O L E T I M Número 79 de Janeiro 2008 - Ano VIII

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O p i n i ã o  

  • A Vós a Razão
  • Colaboradora confessa: "O primeiro dia de trabalho numa nova organização: novas tarefas, novas funções, novos colegas, e as expectativas… Roer as unhas, arrancar cabelos, crises de ansiedade, cãibras, tiques nervosos...

  • Asneira livre
  • Colaboradora revela: "“Andar em bicos de pés” é, então, uma maneira “simpática” de dizer que me sinto como um “soldado em sentido”, um soldado novato que não quer fazer asneiras durante a sua recruta...

  • Galeria do Insólito
  • É sabido que alguns reconhecem a importância da Gematria e da Numerologia Cabalística, aquela arte (ciência?? rindo...

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A S N E I R A  L I V R E


Andar em bicos de pés

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Por Rita Pacheco*

Ao chegar ao INESC Porto como estagiária de tradução apercebi-me desde logo das minhas limitações pessoais. Em primeiro lugar, pouco sabia da Instituição e depois vi-me rodeada de gente que não conhecia, o que sempre assusta um pouco.

Ao perceber a importância deste lugar e a inteligência das pessoas com quem ia trabalhar, confesso que me senti intimidada. Tinha percebido, enfim, a responsabilidade que é fazer parte da equipa INESC Porto.

Uma ínfima parte da tarefa de levar além-fronteiras o que se passa no INESC Porto cabia-me a mim, o que é assustador, mas encorajador e estimulante ao mesmo tempo. E porque as traduções que são levadas a cabo não são apenas para o estrangeiro, mas também para alunos de diversos países que vêm para Portugal complementar os seus estudos, não posso tomar uma posição cultural excessivamente britânica ou mesmo americana.

Ao traduzir, a minha responsabilidade não é só comigo, mas principalmente com os outros, em saber se os outros perceberão a mensagem que tento fazer passar.

E como tradutora, é exactamente essa a minha tarefa: ser capaz de tentar compreender como pensa “o outro”, pôr-me na pele dos outros, o que leva a uma tentativa perfeccionista de pesquisa e mais pesquisa, revisão e mais revisão... e uma intensa ou mesmo feroz auto-recriminação quando penso que poderia ter feito melhor.

É aqui que percebo a importância do tradutor, profissão cada vez mais desprivilegiada. Traduzir é mais do que uma mera transposição de ideias de uma língua para outra. É criar um texto novo a partir de uma ideia inicial.

É por isso que costumo dizer aos meus amigos que no INESC Porto ando “em bicos de pés”. É que percebo as responsabilidades e expectativas que recaem sobre mim. “Andar em bicos de pés” é, então, uma maneira “simpática” de dizer que me sinto como um “soldado em sentido”, um soldado novato que não quer fazer asneiras durante a sua recruta. Não digo isto porque me pressionam, porque isso não acontece. Digo-o porque imponho esta disciplina a mim mesma.

Então, caminhando em “bicos de pés”, vou silenciosa, mas na tentativa de ser eficaz. Almejar qualquer tipo de perfeição é, obviamente, uma quimera. Não posso, portanto, prometer que não vou falhar. Posso, ainda assim, prometer que vou tentar dignificar a Instituição que me acolheu, ainda que temporariamente, sempre com “amor à camisola”, tal como me dizia alguém do INESC Porto poucos dias depois da minha chegada.

* Colaboradora do Serviço de Comunicação (SC)




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