B O L E T I M Número 87 de Outubro 2008 - Ano VIII

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O p i n i ã o  

  • A Vós a Razão
  • Um dos campeões da publicação de artigos científicos no INESC Porto reflecte: "Seria interessante e prestigiante que o INESC Porto fosse referenciado como um local onde se publica com quantidade e qualidade para se obter um grau".

  • Asneira livre
  • Colaboradora do INESC Porto transmite-nos uma lição de vida dando a conhecer a história de Matt, um jovem que conquistou o mundo… a dançar! O vídeo de quatro minutos onde o jovem norte-americano pode ser visto a dançar em 42 países é já um fenómeno do YouTube com quase 10 milhões de visitas.

  • Galeria do Insólito
  • Em alturas de crise, é necessário enaltecer o orgulho institucional para motivar as tropas. Mas no INESC Porto, habituados à excelência e ao amplo reconhecimento nacional e internacional, todos sorriem! A própria natureza transfigura-se e se revela perante a nossa imponente existência, é a Vida Selvagem que nos saúda em metáforas enternecedoras. Ora vejamos...

  • Biptoon
  • Mais cenas de como bamos indo porreiros...

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A  V Ó S  A  R A Z Ã O


A Arte de Publicar

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* Por Orlando Frazão

De facto publicar é uma tarefa fácil. Basta simplesmente escrever artigos. No entanto para escrever os artigos precisamos de trabalho. Trabalho é nos laboratórios. Nos laboratórios tiram-se resultados. E com os resultados, podemos submeter artigos em revistas.

Porque se publica pouco no INESC Porto? Através desta receita parece fácil. Temos de analisar a situação. De facto há uma frase muito importante “Trabalho é nos laboratórios”. É aqui que reside o problema, isto é, as pessoas têm de estar a 100 % quando estão no INESC Porto.

Os Professores não podem, pois têm de dar aulas. Os investigadores têm de escrever os projectos, para que o INESC Porto possa sobreviver financeiramente. Quem fica então? São os alunos de doutoramento e os bolseiros. Este são os responsáveis para que a produção científica aumente. Como tal, os professores ou orientadores têm de incentivar os mais novos a publicar. Para isso têm de trabalhar arduamente nos laboratórios e se for preciso “discutir ciência” com os Doutores. Verifico que isso não acontece, não acham?

Penso que é altura de mudar. Eu comecei por colocar objectivos aos alunos a quem dou apoio. Para mim, um aluno de Mestrado, antes de entregar a tese, tem de submeter pelo menos um artigo em revista para ter uma boa nota. Enquanto que um aluno de doutoramento tem de ter um mínimo de artigos publicados consoante a área para que possa defender o seu trabalho (cinco é aceitável). Mas acho que este valor deveria ser quantificado pelos Doutorados. Seria interessante e prestigiante que o INESC Porto fosse referenciado como um local onde se publica com quantidade e qualidade para se obter um grau.

Apesar do INESC Porto ter criado motivações como os 1000 euros de prémio. Existem outras motivações, como um PARABÉNS dado por um especialista na área, do outro lado do mundo e que leu o nosso trabalho. Pois a partir daí surgem os convites para parcerias. Ou ainda um convite de uma revista conceituada para rever ou submeter artigos de revisão. Isto sim, vale a pena e podemos incluir no CV.

As publicações em revista têm de facto um papel importante na avaliação do INESC Porto e para quem os publica.

Inté.

* Colaborador da Unidade de Optoelectrónica e Sistemas Electrónicos (UOSE)

O CONSULTOR DO LEITOR COMENTA

Caro Orlando, em primeiro lugar, parabéns! - embora deste lado do atlântico e sem ser especialista da área...

O esforço de publicar é, de facto, uma cultura de profissionalismo para quem abraça esta vida e, por isso, a qualidade e quantidade exigem método e sistematização, para além da matéria prima. Sugeres a criação de “check lists”, como na aviação – o caminho também é por aí.

Nós estamos num estádio de desenvolvimento em que temos que olhar o problema de forma mais exigente – porque já não se pode dizer que o INESC Porto publica pouco, para uma instituição em engenharia e tecnologias da informação e comunicação. O actual rácio de artigos em revista internacional por doutorado equivalente (em tempo inteiro e com envolvimento efectivo) é superior a 1 por ano no universo INESC Porto LA, o que é um valor médio aceitável nestas áreas da engenharia.

Mas a análise mais fina detecta assimetrias. Para constituir esta média, temos doutorados que publicam muito acima da média e outros muito abaixo. Um pequeno esforço destes últimos melhoraria de forma incrível os nossos números.

Por outro lado, a instituição não é de ciência pura, envolve também transferência de tecnologia e valorização de conhecimento. E se 1 artigo por ano é internacionalmente bom em Energia, será insuficiente em Física. Por isso, haverá que temperar a fúria dos números com as virtudes do nosso perfil local de actuação.

Por isso é que a criação de hábitos profissionais nos pode ajudar a transformar a criatividade eventual numa tarefa trivial e planeada. E que esse hábito deva ser incutido nos nossos formandos, nada pode estar mais correcto.

Na verdade, os artigos medem quantitativamente o reconhecimento externo do nosso desempenho científico. Se não estivermos munidos de indicadores positivos, estará em risco o nosso próprio estatuto de Laboratório Associado.

É por isso que publicar é um duplo dever: individual, porque corresponde à obrigação profissional, e solidário, porque contribui para a conservação do excelente ambiente que temos.



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