B o l e t i m N ú m e r o : 3 7 ( i n t e r n o ) / 2 3 ( p ú b l i c o )
 
 


O p i n i ã o

A Vós a Razão
Leitora bem-disposta revela: “Quando entro no INESC Porto, entro num mercado de especiarias, em que cada momento e pessoa é um novo cheiro e paladar por descobrir e usufruir...".»

Galeria do Insólito
Será que numa instituição de cientistas há quem acredite em fenómenos sobrenaturais e em crenças populares? O BIP inquiriu uma amostra significativa de colaboradores para descobrir se têm medo de gatos pretos, sonhar com dentes, quebrar correntes de e-mail, entre outros azares.»

Asneira Livre
Leitor esclarece: "Não se preocupem, não vou escrever sobre todos os desejos, apenas sobre aqueles que estão directamente ligados ao INESC Porto ". »

Biptoon
Bamos Indo Porreiros »

Especial
O BIP quis saber que memórias guardam os antigos colaboradores da sua passagem pelo INESC Porto. Assim, entrevistámos cinco ex-colaboradores (um de cada Unidade) que já saíram há algum tempo do INESC Porto.»

Notícias »

 

I wish...


 Por Cláudio Vieira *

De início pensei: “Talvez esta não seja a melhor altura para falar de desejos... Pois o Natal já passou e até chegar o próximo de certeza que o Pai Natal se vai esquecer!". Depois de reflectir melhor sobre a ideia cheguei à conclusão que a realização de muitos desses desejos não depende apenas do Pai Natal. Talvez ele seja até a figura de menor relevância para a sua concretização. Assim, decidi continuar com a ideia e o texto começou a tomar forma. Mas não se preocupem, não vou escrever sobre todos os desejos, apenas sobre aqueles que estão directamente ligados ao INESC Porto.

Estamos a atravessar uma fase de recessão económica... é um facto. Em todos os sectores, aponta-se como possível solução a aposta na qualificação profissional e na produção com qualidade. Penso que esta linha de acção deveria ser seguida pelo INESC Porto. É necessário reorganizar prioridades, investir na qualificação dos colaboradores e na qualidade do que fazemos. De que outra forma poderemos continuar acima da linha d'água?

A participação em projectos europeus deve ser encarada com mais seriedade. Estes projectos são de uma importância vital, quer do ponto de vista de projecção no exterior, quer do ponto de vista financeiro. Afinal, estes projectos contribuem significativamente para a auto sustentação do instituto.

Não se deve comparar cegamente as necessidades/exigências de projectos de diferentes naturezas. As necessidade decorrentes da participação num projecto europeu são seguramente muito superiores do que as decorrentes da participação em projectos nacionais/FCT. Mas, no final das contas, o lucro poderá também ser muito superior, se forem bem geridos e o investimento necessário realizado na altura certa.

Em Portugal, o INESC Porto ainda é símbolo do que melhor se faz em investigação, em comparação com outros institutos de investigação em estado mais incipiente, ou em comparação com a ínfima investigação que se realiza a nível empresarial.

A nível europeu (e porque não mundial?!), a fasquia é bem mais elevada, os critérios de selecção são mais rigorosos e os jogadores são mais competentes e poderosos. Felizmente, conseguiu-se no passado alguma projecção no exterior com alguns projectos bem sucedidos. Infelizmente, hoje está cada vez mais difícil manter essa imagem de referência destacada da concorrência.

Os projectos europeus são frutos muito apetecíveis. Luta-se por se conseguir uma participação... Mas, quando se consegue, o investimento na sua realização não pode ser mínimo. Tem que existir um investimento inicial que é determinante para tornar o projecto rentável a curto/médio/longo prazo. Esse investimento passa necessariamente pela criação de uma boa equipa de trabalho e pela aquisição das capacidades necessárias. Para que cada projecto não seja um recomeço do ponto zero, tem que existir uma política de gestão de conhecimento.

Para melhor perceberem a lista das coisas que gostava de ver realizadas necessitam de algum contexto. Sou bolseiro da UTM e trabalho na área de sistemas multimédia distribuídos. A minha experiência aqui no INESC Porto, em trabalho distribuído por 4 projectos europeus, resume-se a programação e resolução de alguns problemas esporádicos.

É necessário existir formação específica em diversas áreas de modo a que os projectos sejam eficazmente dirigidos e os recursos sejam optimizados. O resultado de um projecto deve ser produzido de forma eficiente e com qualidade. Tem que se investir em formação interna em múltiplas áreas:

gestão de projecto
produção de documentação
engenharia de software
tecnologias de sistemas distribuídos
segurança em sistemas distribuídos
programação avançada/eficiente
tecnologias multimédia
administração de serviços
gestão de bases de dados

A participação em projectos europeus tem que ser activa e visível. Não podemos assumir uma atitude passiva e dar o nosso contributo permanecendo na sombra. Não é assim que projectamos a nossa imagem no exterior. É importante participar em diversas actividades no âmbito de projecto:
participar em reuniões de projecto
participar em conferências da área específica do projecto
participar em eventos de apresentação de resultados do projecto

A meu ver, estes pontos constituem algumas melhorias que podem contribuir significativamente para o aumento da qualidade do que fazemos e, de forma implícita, rentabilizar os projectos em que participamos.

É verdade que estas ideias merecem uma reflexão bem mais alargada e profunda. Talvez algumas se revelem úteis e outras fúteis. Sendo as opiniões tão divergentes, tenho a certeza que alguns considerarão esta prosa apenas mais uma asneira monumental. No entanto, considero que é mais sábio e construtivo, embora mais difícil, ouvir opiniões, reflectir sobre elas e procurar os pontos positivos do que encontrar um ponto negativo e partir daí para o abate da opinião em causa.

Eis uma opinião que, sendo asneira ou não, está livre... 

* Colaborador da Unidade Telecomunicações e Multimédia (UTM)

 

Asneira livre

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