B O L E T I M Número 63 de Junho 2006 - Ano VI

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D E S T A Q U E

Trabalhos de excelência num âmbito de Cooperação Internacional

INESC Porto mais participativo em Projectos Europeus

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O INESC Porto, tal como muitos outros centros de investigação cientifica, vê no progresso científico a chave de ouro para um futuro de progresso no século XXI. Tendo em vista esse futuro, a União Europeia criou um conjunto de políticas que visam apoiar a participação em iniciativas na área da ciência e da tecnologia. Para o INESC Porto a integração nos quadros de apoio europeu é essencial para o desenvolvimento de vários programas e projectos europeus que estão em curso na instituição.

Incremento de projectos
O número de projectos tem vindo a aumentar de ano para ano, exigindo já uma equipa especializada que está incumbida de preparar todos as acções e logística necessárias para a candidatura e administração dos projectos.

Mais do que um apoio técnico e financeiro estes projectos permitem uma maior integração com instituições europeias, universidades, centros de investigação e empresas que facilitam um maior reconhecimento do nosso trabalho científico.

O BIP entrevistou algumas pessoas que estão ligadas à preparação e organização dos processos de candidatura a projectos de âmbito europeu.

BIP: Qual é a mais valia que esses projectos têm para o INESC Porto?
Marta Barbas (DIL):
A participação nestes projectos permite melhorar a combinação de financiamentos exigida pela actividade do INESC Porto. Por outro lado, o estabelecimento de parcerias, através dos consórcios e redes, poderão promover actividades contratuais futuras, nomeadamente através da exploração dos resultados obtidos. Resumindo, a participação neste tipo de projectos é uma actividade fundamental de financiamento da instituição contribuindo, em simultâneo, para a prossecução dos objectivos de internacionalização e financiamento do INESC Porto.

BIP: Que esforço e responsabilidades implicam?
MB:
Nos últimos 10 anos a participação do INESC Porto em projectos europeus mais do que duplicou originando, inclusivamente a criação de uma estrutura de apoio altamente especializada integrada no DIL. Esta estrutura responsabiliza-se pelo cumprimento da gestão administrativa e financeira dos projectos desde a fase de candidatura até ao seu encerramento, tendo a seu cargo várias tarefas, de entre as quais se destaca a emissão dos relatórios financeiros.

BIP: A participação em projectos europeus aumentou em relação a 2005?
MB:
Sim. Em 2005, a nossa participação incluía 16 projectos, neste momento já contamos com 21 projectos europeus.

BIP: Em termos científicos e financeiros, o que significa a participação do INESC Porto em projectos europeus?
MB:
Em termos científicos, a participação neste tipo de projectos permite, por um lado, financiar a realização de trabalho de I&D avançado e por outro, transferir os resultados da investigação aplicada e do desenvolvimento tecnológico para o tecido económico, através do funcionamento em rede com outras instituições. Em termos financeiros, a participação em projectos europeus financia cerca de 20% da actividade do INESC Porto.

UOSE envolvida em mais projectos europeus
Na Unidade de Optoelectrónica e Sistemas Electrónicos (UOSE) está em decurso o projecto Europeu URANUS (Ultrafast Technology for Multicolor Compact High-Power Fibre Systems) e inclui como parceiros o ORC Tampere University of Technology da Finlândia, as empresas inglesas Fianium Ltd., Stratophase Ltd., a dinamarquesa NKT, e a finlandesa CoreLase Oy.
O responsável geral do projecto é Oleg Okhotnikov e Francisco Araújo tem a seu cargo a coordenação das actividades do INESC Porto no consórcio.
O objectivo do projecto é o desenvolvimento de fontes laser em fibra óptica com características extremas quer ao nível da duração dos impulsos ultra-curtos a emitir, quer no que respeita à potência de pico emitida, existindo assim condições de gerar um certo conjunto de efeitos não lineares, até agora possíveis só com dispositivos ópticos convencionais, de grandes dimensões.

Segundo Francisco Araújo, os projectos europeus constituem uma mais valia para o INESC Porto, na medida em que permitem um contacto estreito com um forte consórcio europeu na área dos lasers em fibra de alta potência. Esta área é actualmente uma das mais activas em termos de aplicações industriais.

No que diz respeito à equipa do INESC implica um esforço de 21 PM ao longo do projecto e responsabilidades no desenvolvimento de redes de Bragg chirp para aplicação à construção de lasers em fibra.

A participação da UOSE em projectos europeus tem vindo a aumentar. Recentemente foi aprovado o projecto NextGenPCF, que, na opinião de Francisco Araújo, vai permitir à Unidade trabalhar em sistemas de detecção de gases baseados em fibras microestruturadas.

UESP aposta na diversidade de projectos
 A Unidade de Engenharia de Sistemas de Produção (UESP) iniciou recentemente o projecto AMI@NETFOOD – Development of a long-term shared vision on AMI technologies for a networked agri-food sector, do sexto Programa Quadro da UE.
O objectivo do projecto é proporcionar uma visão a longo prazo sobre as tendências futuras na investigação científica e tecnológica orientada para o desenvolvimento e aplicação de tecnologias de “Inteligência Ambiente” (Ambient Intelligence) para o sector agro-alimentar.
Além deste projecto a UESP está a desenvolver mais quatro projectos no âmbito europeu, o CEC-MADE-SHOE, KNOW-CONSTRUCT, IRC e KOBAS.

UTM acima da média
A Unidade de Telecomunicações e Multimédia (UTM) é a unidade que neste momento está a desenvolver mais projectos europeus, são oito e alguns deles já em segunda fase de aplicação, como é o exemplo dos projectos DAIDALOS II, ENTHRONE II e VISNET II na primeira fase estes projectos tiveram um feedback muito positivo que atingiu os seus objectivos e encerrou as suas actividades com sucesso.

BIP: Qual é a mais valia que esses projectos têm para o INESC Porto?
Teresa Andrade: As mais valias são a possibilidade de dar formação avançada a colaboradores mais jovens, o estabelecimento de contactos bi-laterais, possibilitando o intercâmbio de conhecimento e estabelecer novas parcerias, quer para projectos em consórcio, quer para acções bi-laterais e a divulgação a nível internacional do nome do INESC Porto e reconhecimento de competências.

BIP: Que esforço e responsabilidades implicam?
TA: Normalmente as equipas de cada projecto são constituídas por dois investigadores e um responsável, estando os investigadores juniores a trabalhar em dedicação para o projecto. O esforço é maioritariamente a nível técnico de concepção de projecto e desenvolvimento. De uma forma geral implicam um esforço adicional na altura da integração uma vez que temos estado tradicionalmente envolvidos na implementação de módulos chave para o funcionamento dos protótipos.
No entanto, temos também casos em que a nossa responsabilidade é bastante maior, em termos de gestão e controlo do trabalho, e onde a nossa equipa de trabalho é substancialmente maior. Tal é o caso dos projectos ENTHRONE e VISNET. A nossa responsabilidade incluía a gestão de um work package com bastante parceiros envolvidos e portanto com a necessidade de planear e monitorizar o trabalho de todos eles. Nestes casos a responsabilidade é de facto maior quer perante o consórcio quer perante a CE, sendo necessário apresentar os resultados e "defender" o projecto perante a comissão na altura das auditorias.
Para além disso, o nosso papel nas actividades de disseminação de resultados tem vindo a aumentar, o que implica um esforço adicional quer na preparação de material (artigos e demonstradores) quer na participação de eventos (conferências, exposições, workshops, etc).
Também na altura da preparação das propostas e da defesa das mesmas, aquando da sua avaliação por parte da comissão, temos tido um papel activo.
Eu diria que em projectos de média/grande dimensão, e fora os períodos iniciais de definição de estratégias, o acompanhamento do investigador principal tem que ser praticamente diário.

BIP: A participação da UTM em projectos europeus tem vindo a aumentar?
TA:
Penso que não tem havido alterações significativas. De uma forma geral a UTM tem tido uma participação razoável nos programas de financiamento da CE. Talvez neste preciso período estejamos um bocadinho acima da média.

USE com enfoque nas energias renováveis
Actualmente, a Unidade de Sistemas de Energia (USE) está envolvida em dois projectos com parceiros europeus no âmbito de programas de investigação e desenvolvimento financiados pela União Europeia.

Um deles é o projecto europeu RISE (Rede de Informação de Situações de Emergência), que conta com a participação de Cláudio Monteiro, e cujo objectivo é promover as energias renováveis nos países afectados pela guerra, tais como a Bósnia, Croácia, Sérvia, Montenegro e Macedónia.

O outro projecto é o More-Microgrids que está a estudar a possibilidade dos actuais consumidores domésticos poderem produzir energia eléctrica para consumo próprio e também para venda à rede pública.

Esta solução visa ainda contribuir para a redução de emissões de CO2. Um cenário que é possível através da redução das perdas eléctricas nas redes de transporte e distribuição de electricidade, bem como da substituição da produção convencional por produção em parte renovável, localizada junto dos consumidores.

Segundo Manuel Matos, coordenador da USE, a Unidade “procura ter sempre pelo menos um projecto europeu que nos mantenha na linha da frente da investigação europeia sobre os tópicos científicos que mais nos interessam. Estamos também abertos à participação em áreas novas onde possamos dar contribuições inovadores ao mesmo tempo que ganhamos know-how.”
Quanto aos esforços e responsabilidades exigidas no envolvimento desses projectos, o MoreMicrogrids conta com 84 pessoas por mês e com um orçamento total de 7.9 milhões (4.5) O Orçamento do INESC Porto é de 678 mil euros (343 mil financiados pela UE).
O projecto RISE conta com 19 pessoas por mês e com um orçamento total de 1.9 milhões euros. O orçamento do INESC Porto é de 171 mil euros (85.5 financiados pela UE).

Questionado acerca da participação da USE, Manuel Matos diz-nos que a Unidade tem tido uma participação relativamente estável, com tipicamente dois projectos em simultâneo. Consideram que não é adequado aumentar muito a participação, a não ser que o resto da actividade da Unidade também possa aumentar, mas também não têm surgido muitas oportunidades adicionais. De qualquer forma, o coordenador da USE afirma que vão passar a estar envolvidos brevemente em mais um projecto de certa dimensão, colocando-se de certo modo no limite teórico de participação em projectos europeus.

Projectos europeus potenciam a internacionalização
Na opinião de José Carlos Caldeira, director do INESC Porto, “para além do financiamento que proporcionam, a participação em projectos europeus permite-nos estar em contacto com o que de mais avançado se está a desenvolver a nível europeu e contribuir activamente para esse desenvolvimento. Para além disso, potencia a internacionalização do INESC Porto e das suas actividades, assim como das empresas e outras entidades nacionais que colaboram connosco nesses projectos.”
Em relação ao esforço e responsabilidades que implicam, José Carlos Caldeira afirma que “a crescente complexidade dos projectos europeus, resultante dos novos formatos implementados pela CE, nomeadamente os “Integrated Projects”, que têm obrigado as organizações em geral e as instituições como o INESC Porto em particular (pela natureza e modelo organizacional) a um maior e mais sofisticado esforço de gestão, quer técnico científica quer administrativa. Neste novo enquadramento, a existência de um serviço como o DIL tem sido fundamental, quer pelo leque integrado de competências que reúne, quer pela qualidade e competência das pessoas que o integram."



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